Ao chegar, percebi que não conhecia ninguém naquele local além dos meus amigos. Ficamos lá e bebemos um pouco, resolvi dar uma volta pelo lugar, era uma casa grande, dividiram a festa em dois ambientes, um estava tocando Sertanejo, e no outro tocava alternadamente rock e trance, eu claro fiquei neste último.
Lá encontrei uma garota, destas que agente não encontra em qualquer lugar, bom, na verdade ela me encontrou. Quando estava passando trombei com ela e sua bebida veio parar toda em minha camiseta.
-Nossa, te molhei, vamos ali para limpar sua roupa. – Disse a menina desastrada.
Ela tinha cabelos loiros e cacheados, olhos cor de mel, desses bem claros. Chegamos ao tal lugar onde tirei minha camiseta para que ela limpasse. Como não iria andar na festa sem camiseta, esperei ela acabar para sair. Então começamos a conversar, ela me disse eu nome Melissa, disse que formaria este ano em Letras, que gostava de jogar vídeo games e de esportes radicais entre outras coisas.
Meu Deus, uma garota que gosta de vídeo games, esportes radicais e ainda por cima linda e inteligente, comecei a pensar que havia bebido demais. De fato havia bebido mais do que deveria. Mas ela se mostrou muito divertida, sempre rápida em suas respostas, e “maldosa” em seus comentários.
Logo após ela acabar de limpar minha camiseta, meu amigo apareceu e falou que iria embora.
-Ah, nem, você já vai? – disse Melissa, com aquela voz meiga que apenas as melhores mulheres sabem fazer, sem contar os olhos do Gato do Shrek.
Também pensei a mesma coisa. Logo agora que havia conhecido uma pessoa legal tinha que ir embora. Definitivamente o mundo não é justo. Mas como estava de carona e no outro dia teria prova, resolvi voltar com eles, então fui me despedir de Melissa.
Ela me acompanhou até a porta da casa, fomos conversando e rindo por todo caminho, quando finalmente chegamos à porta da casa, ela disse.
-Então... até a próxima.
E virou de costa e foi andando de volta. Foi quando eu peguei na sua mão e pedi desculpas.
-Desculpas por que? – perguntou ela.
-Por isso.- Disse antes de beijar-la, e não foi apenas um beijo, na verdade foi apenas um beijo, mas um beijo daqueles de fazer acabar e renascer o mundo ao mesmo tempo, suave e molhado, mas com intensidade e quente como todo beijo bem dado tem de ser. Um beijo para nunca ser esquecido.
Depois nos despedimos, ela tirou uma foto nossa com meu celular e disse que era para eu não ter saudades, e passou via blue-toth para o celular dela.
- Agora eu também não ficarei com saudades. – Disse ela antes de entrar novamente na casa.
Então fui embora com meu amigo e sua namorada, eles claro, não falavam de outra coisa que não levasse o nome de Melissa, até que chegamos em casa, e ele me perguntou.
-Pegou o telefone dela?
Não, definitivamente não tinha pego o telefone dela. Meu amigo apenas disse:- Que pena.- e foi embora.
Como eu não pensei em pegar o telefone dela, pensava. Estava decidido a voltar aquela festa e perguntar o telefone dela. Peguei um táxi e voltei para a casa onde aconteceu a festa. Chegando lá notei que a festa já havia terminado, e que todo mundo já tinha ido embora. Mas apenas para não perder viagem toquei o interfone para perguntar se alguém a conhecia.
Toquei uma, duas, três vezes, e ninguém atendeu. Como não tinha mais jeito, agora era voltar para casa e torcer para reencontrar Melissa em algum lugar.
Estava voltando para o carro quando alguém abriu o portão. Perguntando se havia esquecido alguma coisa. Virei-me, era Melissa, que interrompeu a pergunta quando me viu.
-Você voltou, já ficou com saudades? – disse ela sorrindo.
-Na verdade esqueci de uma coisa. – respondi.
-Só por isso – disse ela, mas não estava mais sorrindo, e perguntou - E o que seria?
Aproximei-me e disse: - Esqueci de pegar seu telefone.
Ela então voltou a sorrir, me passou seu telefone celular e disse:
-Me desculpe.
E me beijou.
Tempos depois fiquei sabendo que ela também ficou desesperada procurando alguém que me conhecesse naquela festa, pois ela também queria me ver novamente, e que quando voltei naquela noite, ela me viu pela câmera do interfone, então foi se arrumar para atender o portão, que alias, era o portão de sua casa. Desde então estamos juntos, amanhã de manhã faremos trilha de bike e mês que vem faremos nosso primeiro cosplay de casal.
Ah, e ela continua desastrada....
Quantas vezes você já se esbarrou em sua metade e não percebeu?
Abra os olhos para quem está do seu lado.

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