Imagine que você conheceu uma pessoa no primeiro dia de aula, se tornaram amigos, riram, choraram, brigaram e se defenderam juntos, depois namoraram fizeram planos, e, como nada é perfeito, terminaram, da forma mais trágica e inesperada.
Imagina que você, triste com isso, resolve aceitar uma proposta de emprego e fica mais de dois anos fora, e quando você volta rico, famoso e quase completamente curado, compra um apartamento novo. Tudo perfeito.
Bom, quase perfeito, se não fosse a pessoa que mora no mesmo prédio que você, mais precisamente no seu andar. Sim, estou falando da mesma pessoa que foi sua amiga, aquela pessoa que você riu, chorou, brigou com ela, brigou por causa dela, a sua ex-namorada, aquela que você fez planos. Isso só pode dar em muita confusão. Assim é “A vizinha”.
A Vizinha – Capítulo 01 [Sobrevivendo ao Trote]
Como era de praxe, e quase uma tradição da Universidade de Direito, os calouros estavam carecas, sujos de farinha, aguardando em uma sala a caminhada para o já tradicional pedágio na Avenida Rondon Pacheco, que em épocas de chuva poderia ser chamada de Rio Rondon Pacheco. Mas isso não vem ao caso.- Não entendo por que eles estão tão eufóricos, afinal, é apenas um dia normal de aula. A única coisa que estão conseguindo é tumultuar a aula, – disse Eva parecendo um pouco irritada com tanta algazarra – olhe só, me sujaram toda de farinha...
Enquanto a jovem reclamava, Lin observava a moça atentamente. Definitivamente, Eva era uma linda jovem, de cabelos castanhos claro, cortado pouco abaixo da altura dos ombros, seus olhos eram castanhos claros, que ficavam ainda mais belos quando contrastado com sua branca pele, lisa e macia como a mais pura seda.
Eva era filha de grandes e famosos advogados na cidade, os Costabrava, sempre estudou nos melhores colégios, sendo preparada desde criança para ingressar no curso de Direito da UFU. Mas Eva queria mesmo e ser pintora, tanto que já no primeiro ano de faculdade puxou várias matérias no curso de Artes Plásticas.
Enquanto conversavam, a turma dos veteranos preparava os calouros para o pedágio, que nada mais era do que pedir dinheiro nos sinaleiros da cidade.
- Agora eu quero todos caminhando de “Elefantinho”.- gritava um dos veteranos.
A caminhada do elefantinho era uma tradição do curso do direito, consistia em passar a mão esquerda por baixo da perna direita e segurar a mão direita do colega de trás, que repetia o movimento até chegar ao ultimo da fileira, e assim caminhavam rumo ao tão esperado pedágio.
Como era de se esperar Eva estava bolando um plano para fugir desses rituais, embora não fosse obrigatório permanecer neles, e seu plano incluía ter Lin como cúmplice.
-Você fica por ultimo na fila dos homens que eu faço o mesmo na fila das mulheres, quando agente chegar no portão agente se solta e vira para a esquerda e vamos embora. - sussurava a moça, o seu plano nos ouvidos de Lin.
-Mas você não é obrigada a ficar, é só ir embora e pronto. –respondeu Lin
-Não discuta e siga o plano, - disse Eva – fugir é mais divertido.
Lin sempre foi uma pessoa solidária, sempre procurava ajudar todos, assim não poderia negar o pedido da moça. Então começou a marcha dos bixos do Direito rumo ao sinaleiro da Rondon Pacheco, Lin e Eva eram os últimos da longa fila, então conforme combinado, eles se soltaram e fugiram rumo à biblioteca.
-Tem Bixo fugindo! -
Foi a ultima coisa que ouviram, antes de tropeçarem e caíram na grama. Enquanto permaneciam deitados eles riam de toda aquela situação. Então sujos de farinha e agora terra e grama, foram comer na lanchonete do campus.
Assim, Lin e Eva sobreviveram ao trote e se tornaram amigos, estudavam, saiam, riam e brigavam juntos, como apenas os bons amigos sabem fazer.
Continua…
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